O passo (histórico) que ainda falta para que a ciência desvende a origem do universo é o mesmo que falta para essa mesma ciência revelar que de fato tempo, espaço e separação, são noções ilusórias e convincentes percebidas pela consciência objetiva humana. Somos todos, em essência, unos, sem separação. O que penso, por exemplo, todos podem pensar. Este saber é assustadoramente real, assustadoramente porque pode ser utilizado da forma que o livre arbítrio humano pretender ou desejar e, sabendo-se que o humano é o único ser (que até agora conhecemos) auto-consciente, ou seja, consciente de que é consciente e o único que cria desequilíbrio ecológico, pode ele deliberar por utilizar o saber (e isso vale para a ciência que em si não é boa nem má) para destruir ou para construir um mundo melhor.
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
terça-feira, 19 de novembro de 2013
Os cientistas mais especializados estão prestes a descobrir (na verdade trazer ä tona) o conhecimento de que para o Ser nunca houve começo, sendo infrutífera a busca desse "marco", seja ele na matéria normalmente perceptivel ou noutros universos não perceptiveis de ordinário para o humano.
De outro aspecto, a separação, tempo e espaço, são nuances devidas äs limitações da compreensão e saber (consciência) humanos.
De outro aspecto, a separação, tempo e espaço, são nuances devidas äs limitações da compreensão e saber (consciência) humanos.
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
Falando um pouco de ecologia e vida no planeta
Observa-se na atualidade que as sociedades criam um conjunto de
necessidades para seus membros e ensina-lhes que a vida não vale a pena ser vivida
e mesmo, não pode ser, materialmente, vivida a não ser que essas necessidades
sejam bem ou mal “satisfeitas”. Esse modelo só conseguiu surgir, manter-se,
desenvolver-se e estabilizar-se colocando no centro de tudo as necessidades
econômicas que mudam drasticamente de cultura para cultura.
A questão não é saber se se critica este
conjunto de necessidades de um ponto de vista pessoal, de gosto humano,
filosófico, biológico, médico ou o que quiserem. A questão recai sobre os
fatos, sobre os quais não se devem nutrir ilusões. Exemplificando o encadeamento que se origina de uma necessidade criada: esta
sociedade funciona porque as pessoas têm que ter um carro e, em geral, podem
tê-lo e podem comprar gasolina para esse carro. Esse sistema não poderia,
provavelmente, continuar se não lhe fosse assegurado este ramerrão do consumo
crescente. A sociedade poderia recolocar-se em causa dizendo: o que se está
fazendo é completamente louco, a maneira segundo a qual se vive é absurda.
Os movimentos ecológicos põem em questão o
esquema e a estrutura das necessidades, o modo de vida. O que está em jogo, no
movimento ecológico, é toda a concepção, toda a posição das relações entre a
humanidade e o mundo e, finalmente, a questão central e eterna: o que é a vida
humana? Vive-se para fazer o quê?
A essa questão já existe uma resposta e todos
a conhecem: é a resposta do modelo materialista, no
enunciado programático bem conhecido de Descartes: atingir o saber e a verdade
para “nos tornarmos senhores e possuidores da natureza”. Ou, conforme a passagem bíblica em que é outorgado ao
homem um título de propriedade sobre a natureza: “...e domine [o homem] sobre
os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a
terra, e sobre o réptil que se move sobre a terra...” ou, ainda, conforme
Descartes, no Discurso do Método, cap. IV, em que, expressamente, afirma que
fez seu método para que os homens se tornassem „donos e domadores da natureza‟.
Dessas visões equivocadas, originou-se a
cultura da “natureza inimiga” e dissociou-se ou fragmentou-se,
perigosamente, o ser humano como animal-racional-ambiental que é, pois a Terra
supõe um mecanismo de inclusão, de troca, de cumplicidade homem/Planeta,
pessoa/ambiente, sem o que a vida não seria possível.
Continuando a exemplificação, aliás citadas por vários especialistas, a contradição existente entre a cultura
irrefletida e a vida: o problema dos engarrafamentos nas cidades, poder-se-ia
anunciar como solução para eliminá-los a quadruplicação e a largura da avenida.
Mas, que são estas cidades? O que é que as pessoas que as lotam têm,
verdadeiramente, vontade de fazer? Como é possível que elas “prefiram” ter seus
carros e passar horas de cada dia nos engarrafamentos a outra coisa qualquer?
Ao discutir com as pessoas em um
engarrafamento, ninguém dirá: “É meu sonho, todas as noites, os
engarrafamentos. Sem engarrafamentos eu seria verdadeiramente infeliz”. Na
realidade, o que elas pensam é: “não há alternativa; e eu pego o engarrafamento
para ter quatro semanas de férias”. Fica-se com quatro semanas de férias, que
são um sinal de liberdade; e também não é isso. Mas é difícil organizar sua vida
de outra maneira quando não há efetivamente movimento social propondo uma
alternativa. É aí que tudo parece morder a própria cauda. Não há movimento que
permita que as incertezas dos indivíduos sejam resolvidas.
Colocar o problema de uma nova sociedade é colocar
o problema de uma criação cultural extraordinária. É possível ver-se ao redor
nascer um outro modo de vida que prenuncia, prefigura algo de novo, algo que
daria um conteúdo substantivo à idéia de autogestão, de autogoverno, de
autonomia, de auto instituição? Responsavelmente, deve-se agir com a cautela de
não ser levado por outros desejos, por outras “necessidades” habilmente
incutidas na grande massa de pessoas que não podem ser satisfeitas no sistema
social contemporâneo .
O movimento ecológico deve tentar conquistar
todos os terrenos que o coloquem em posição de debate, em todos os níveis,
contra aqueles que, neste momento, dominam os debates. Toda política que não
tenta, não se diria conquistar as cabeças, mas pelo menos sensibilizar as
cabeças, caminha para o fracasso. Há que se aprender a conscientizar-se,
entendida a consciência como um estado de atenta vigília frente aos fatos que
estão ocorrendo no respectivo instante, aqui e agora, comigo e à minha volta. A Ecologia não é apenas relacionar-se com o Universo,
mas entender e viver a ideia de que se é o Universo, de que não existem duas
realidades (o homem pensa e o Universo que siga seu caminho sem se dar conta de
si mesmo).
“Vivemos num mundo em grande desenvolvimento tecnológico e
científico, onde a cada dia surgem novos conhecimentos e, entretanto,
destruímos o meio ambiente ameaçando a nossa própria existência”. Hélio Lopes do Amaral, Defesa do Meio Ambiente-Desafio do Séc XXI..., 2012 (embasado em pesquisas, dentre outras (CASTORIADIS e MUMFORD).
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